Por um click

Chegou a vez de falar dessa pessoa que vos escreve.

Já falei um pouco de mim no primeiro post que fiz aqui pro La Photo, mas vou falar mais um pouquinho.

Sempre me interessei por fotografia, mas nunca pensei que ela se tornaria minha profissão. Quando era mais nova tentei ‘caminhar’ por outras áreas, fiz cursos de moda, design de jóias e chegava ao fim sempre com o mesmo pensamento, AINDA não é isso que eu quero.

A fotografia sempre esteve presente na minha vida, meu avô era fotógrafo nos anos 50. Eu sempre tinha uma câmera por perto e as pessoas sempre me falavam que eu tinha ‘jeito’ pra coisa, mas nunca levava a sério, era sempre por diversão.

Um dia então, mais velha, resolvi tentar e fui atrás de um curso básico de fotografia. Foi aí que eu comecei a me apaixonar pela arte. Na época, mesmo ainda não tendo uma câmera, fiz o curso e me encantei. Foi a descoberta de outro mundo, comecei a ver as coisas com outros olhos, tudo a minha volta agora era uma fotografia.

Comprei então minha primeira câmera, uma Canon G9. Foi uma diversão só, passava horas olhando para as coisas e fotografando tudo. Literalmente tudo, desde o passarinho da minha vó ao matinho que crescia no meu quintal.

PicMonkey Collage2

Resolvi então, aprimorar e começar a investir na área, foi ai que eu fiz o curso completo na Escola de Imagem. Lá aprendi mais sobre objetivas, a entender uma foto, enquadramento, flash e tudo mais que envolve a fotografia. Ai sim um mundo novo pra mim. Na época, comprei uma Nikon D40, que me acompanha até hoje. Quando me formei no final de 2009 comecei a fazer freelancer para uma boate, ia fotografar sempre que eles me chamavam e achava aquilo tudo o maior barato, mas a vida de fotógrafo noturno é cansativa, como eu trabalhava o dia todo em outro lugar e a noite ia para lá, foi ficando cadia dia mais cansativo e eu acabei parando de fotografar a noite, apesar de ainda gostar muito.

PicMonkey Collage

Comecei então a chamar amigas para serem fotografadas e com isso meu portifólio começou a tomar forma.

PicMonkey Collage

Ainda em 2009, fotografei o Festival de Jazz que rola todo ano aqui em BH, nele também tem o Concurso Fotografe o Jazz, onde dão bastante espaço para quem está começando a fotografar. Nisso, uma das minhas fotos foi selecionada entre as 10 melhores do concurso, ficando exposta em dois lugares.

Com a foto premiada e com a ajuda das minhas amigas fui aprimorando e querendo mais ainda entrar na área. Foi ai que eu comecei a fotografar shows também, mas todos por conta própria.

Untitled-1Untitled-21

A aventura de fotografar shows ainda me fascina. Com isso comecei a conhecer fotógrafos nessa área, foi ai que eu conheci o trabalho do Luringa, que até nos deu uma entrevista, César Ovalle, Gustavo Vara, Tom Leishman, dentre outros que mandam bem na área. Mas também tenho várias referências que não são só de fotógrafos ‘musicais’, como Terry Richardson, Pablo Vaz e outros.

Estou sempre estudando e procurando me aprimorar mais ainda, porque a fotografia é um eterno aprendizado.

Bom, acho que deu para falar mais um pouquinho sobre mim e espero que vocês tenham gostado.

Por um click

Inauguramos hoje a nova sessão de entrevistas. Todo mês teremos uma entrevista com grandes fotógrafos da cena musical, moda e afins.

E pra começar, o entrevistado da vez é o mineiro Lourenço Fabrino, mais conhecido como Luringa. Conhecido por fotografar as bandas Strike, Fresno, Glória, NxZero e outras, é uma das principais referencias na arte da fotografia musical.

La Photo Gracinha: Quando começou seu interesse por fotografia? 

Luringa: Eu trabalho com fotografia a mais ou menos 10 anos, mas eu me interesso por fotografia por volta de uns 15/16 anos. Faz uns 17 anos que eu comecei a ter interesse. Mas trabalhar mesmo são 10 anos.

La Photo GracinhaComo definiria seu trabalho atualmente?

Luringa: Eu me defino como fotografo de bandas, especificamente, mas acima de tudo, sou fotografo, eu sempre falo no meu workshop que antes de ser foto jornalista, ser foto publicitário, fotografo de casamento, a gente é fotografo. Então além de fotografo eu me considero como fotografo de banda que é a área que eu mais me especializei. Mas hoje em dia eu até tenho dirigido muitos clipes, fazem quase 3 anos que eu trabalho com vídeo também. Mas não me considero fotografo de banda, meu trabalho é mais voltado para musica. Não necessariamente de banda, na verdade a maioria é banda, mas é mais voltado pra musica que é o que gosto de fazer, eu direciono meu trabalho porque eu gosto disso, se eu pensasse em dinheiro eu estava fotografando moda, casamento. A gente faz bastante e ganha pouco, mas se diverte bastante.

La Photo GracinhaQuais as pessoas e fotógrafos que lhe dão apoio e te influenciam como fotógrafo?

Luringa: Eu nunca tive muita referencia. Nem me basear no trabalho de ninguém, me apoiar, nunca teve também, nunca trabalhei, por exemplo com nenhum fotografo, de porte, nenhum fotografo maior ou mais antigo, que me passou ensinamento, infelizmente eu nunca tive essa oportunidade, de, de repente ter conhecido algum fotografo do ramo, diferente do meu, pra eu aprender, ser assistente dele. Por que muitos fotógrafos começaram assim, os grandes fotógrafos hoje em dia eram assistentes de outros grandes fotógrafos. Mas infelizmente eu nunca tive essa sorte. Eu nunca me baseie basicamente no trabalho de ninguém, sou era radical, contra isso, eu evitava ter contato com o trabalho de outros fotógrafos do meio pra tentar não me influenciar, eu percebi que a influencia artística esta muito mais além do que a gente vê, a influencia esta nos livros, nos filmes, até na própria internet, nas coisas que você vê, nas coisas que você ouve, nos lugares que frequenta, ate nas comidas que come. Eu comecei a aceitar mais o trabalho alheio e acho que agregou, de uns 4/5 anos pra cá abri muito a minha cabeça quanto a isso. Acho que só agregou, eu sempre tive muito pé atrás de não ser influenciado, de fazer uma coisa totalmente única, por mais esquisito, por mais mentiroso que isso possa parecer, porque ninguém é 100% original, mas eu tentei buscar, de uns tempos pra cá que eu comecei abrir a minha cabeça um pouco e isso tem sido muito bom.

Especificamente, em nenhum, mas se fosse citar algum fotografo que eu gosto, pensando em banda, eu gosto muito do Adam Elmakias, que é americano, bem novo, tem 22 anos. Gosto muito do David Lachapelle, que também é americano de NYC, já é um pouco mais antigo, não né necessariamente de banda só, faz artístico, capa de disco, campanha publicitaria. E eu gosto muito do Bob Gruen, porque o Bob é referencia, ele foi o cara que começou essa coisa de fotografia na musica, então ele tem sido um cara que é muito admirado e respeitado. Eu citaria esses três, e se pensasse no Brasil eu falaria no Gustavo Vara que é meu parceiro, a gente sempre faz trabalho junto. Mas não só porque ele é meu parceiro, mas porque eu gosto muito do trabalho dele.

PicMonkey Collage

La Photo Gracinha: Qual a importância da fotografia na cena musical hoje em dia?

Luringa: Acho que ela é total, na verdade não só na fotografia, acho que o registro, é uma coisa muito importante porque hoje em dia com a internet, a era digital, uma banda que não tem um material registrado do que aconteceu, ela praticamente não consegue trabalhar porque ela não tem como mostrar ate para os contratantes que os shows deles são fortes, contratante de repente vê um show ou outro, pesquisa com outros. Um facebook com três shows por fim de semana, com galeria dos três shows todos cheios, é uma coisa que enche o olho de quem contrata, ate o próprio publico, que fala, oh como o show dos caras tava cheião, ninguém gosta de ir em show vazio. Então eu acho importante pra isso. Hoje muito mais que antigamente. Antigamente talvez não tivesse tanta necessidade. E a velocidade hoje em dia com a internet, se você não tem uma imagem do show que fez ontem, geralmente o fã que procurou hoje não vai entrar de novo amanha pra procurar. Você acaba perdendo publico, então acho que é de extrema importância o registro. Não só a fotografia, mas o vídeo, qualquer tipo de registro, é muito importante.

La Photo Gracinha: Qual foto/evento que você já registrou e que marcou sua vida?

Luringa: Teve vários, eu cheguei a um número exorbitante de shows num geral que eu já fiz. Não só considerando Strike, Fresno e Glória, mas considerando todos, Dead Fish, NXZero, todas as bandas que eu já trabalhei, que eu acabei fotografando no decorrer do tempo, eu cheguei em um numero próximo a 1500 shows. Então é muito difícil, de 1500 shows você pegar e destacar um. Mas tem shows que foram históricos pra mim, por exemplo, o Rock in Rio, que eu fiz com o Gloria, o SWU que eu também fiz com o Gloria. Teve um show de uma banda que chama Deftones, eu tive a oportunidade de fotografar em 2007, foi uma das primeiras bandas internacionais que eu fiz e que trouxe muitos outros trabalhos na época que eu estava começando a aparecer. Então esses shows eu consigo destacar. Mas tiveram outros muitos legais, o Planeta Atlântida, foram todos muito legais. Os festivais geralmente costumam ser muito bacanas, porque você além de estar em uma estrutura grande, de camarim, hotel bom, de som, de toda coisa bacana, você encontra um monte de amigo, em festival que vai tocar 10/15 banda, já tocou com essas outras bandas em outros festivais.

Daftones

deftonesFresno

fresno

Glória

gloria

Strike

strike

La Photo GracinhaQuem você ainda gostaria de fotografar?

Luringa: Principalmente os que já morreram e as bandas que já acabaram, seria o alvo. Eu gosto muito de uma banda Mars Volta, que eu não tive a oportunidade de fotografar, eu vi os shows, mas não tive oportunidade de fotografar. Mars Volta acabou recentemente, não teve como fazer. Tem muita banda, eu sou fã de banda bem underground, bandas bem pouco conhecidas do publico. Não tem uma especifica que eu preciso fotografar, mas têm várias que eu ainda quero fotografar, o Foo Fighters, eu infelizmente perdi a oportunidade de fotografar eles no Lollapalooza. Mas eu não tenho muito dessas metas de fotografar tal banda. Esse ano, falando em primeira mão aqui pra você, eu estou indo pro EUA agora com a Fresno. Fresno vai tocar em um festival, a gente vai passar 12 dias lá, vamos fazer um doc. de estrada da Fresno no EUA e também vou fazer um programa turístico com o Vavo em NYC.

La Photo GracinhaE a pergunta clichê pra finalizar, quais conselhos você daria para quem tem interesse em se tornar fotógrafo (a)?

Luringa: É o conselho clichê também, estudar. É o concelho mais certo, não tem um concelho certo, numa profissão, num oficio você não tem que ser só um apertador de botão, o que difere do artista e dos apertadores de botão é o conhecimento, que apertar um botão na câmera no automático, você pega uma 5D, coloca ela no automático, bate uma foto, ela vai ficar muito boa, tão boa quanto talvez uma de um profissional tirando no manual, tão boa quanto, mas não boa o suficiente, o diferimento artístico esta ai, se você conhecer a arte da fotografia, não só em técnica, manual de câmera, matemática de medição de ponto, essas coisas, mas também referencia artística visual, ver muitas fotos de outros fotógrafos, assistir muito filme, livro, ajuda. Cultura é sempre bem vinda, mas arte visual, assistir filme e ver foto o dia inteiro. Eu passo o dia vendo foto de fotógrafos. Eu fico pesquisando e vendo técnicas novas, não me prendo muito ao nome do fotografo. Então, estudar, ter referencia, buscar referencia, e não ficar parado reclamando que não tem o que fotografar porque o começo é muito difícil pra todo mundo, mas trabalhar e quando você tiver um mínimo, ir a luta, porque na estrada que se aprende muito, não digo necessariamente em banda, mas na caminhada profissional, você aprende muito. Eu aprendi talvez 80% do que eu tenho hoje, eu aprendi na estrada e 20% talvez sentado estudando. Acho que esse seja o maior concelho, por mais que seja clichê, é ele que vale.

Conheçam mais o trabalho do Luringa, acesse www.flickr.com/photos/luringa

Obrigada mais uma vez, Luringa.